Alimentos ultraprocessados ‘saudáveis’? Estudo revela que eles sabotam a perda de peso
- Broto Botica

- 22 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 28 de ago. de 2025
Você sabia que a medida que você adiciona mais alimentos ultraprocessados à sua dieta, seu risco de morte prematura por qualquer causa aumenta? O estudo publicado na Nature Medicine revelou alguns dados importantes:

O estudo comparou os efeitos de duas dietas:
Uma baseada em alimentos ultraprocessados (UPFs) considerados “saudáveis”.
Outra composta por alimentos minimamente processados (MPFs).
Ambas seguiam as diretrizes nutricionais do Reino Unido (Eatwell Guide), e os participantes podiam comer à vontade.
Resultados principais:
A dieta com MPFs levou à perda de peso duas vezes maior e à redução de gordura corporal mais que o dobro.
Os participantes comeram menos calorias espontaneamente com MPFs.
Estimativas indicam que essa abordagem poderia levar à perda de até 13% do peso corporal em homens e 9% em mulheres ao longo de um ano.
O que são alimentos ultraprocessados?
Segundo a classificação NOVA, criada por pesquisadores brasileiros, os UPFs são:
“Formulações industriais com cinco ou mais ingredientes, incluindo aditivos como corantes, aromatizantes, emulsificantes e conservantes, com pouco ou nenhum alimento integral.”
Exemplos comuns:
Cereais matinais açucarados
Iogurtes com sabor
Barras de proteína industrializadas
Pães de forma com aditivos
Snacks “fit” embalados
Refeições congeladas “saudáveis”
Bebidas vegetais adoçadas
Produtos veganos ultraprocessados (como carnes vegetais industrializadas)
Esses produtos muitas vezes são disfarçados de saudáveis, com rótulos como “sem glúten”, “rico em fibras” ou “baixo teor de gordura”, mas contêm aditivos e ingredientes artificiais que afetam a saciedade e o metabolismo.
O ambiente alimentar atual dificulta uma alimentação saudável
Estudos apontam que o ambiente alimentar moderno é obesogênico, ou seja, favorece escolhas alimentares não saudáveis. Os principais obstáculos incluem:
Alta disponibilidade de UPFs em supermercados e lojas de conveniência.
Publicidade agressiva e marketing voltado para crianças e pessoas com pouco tempo.
Preços mais baixos dos UPFs em comparação com alimentos frescos.
Mudanças nos hábitos sociais, como comer sozinho ou em frente à TV.
Falta de tempo para cozinhar ou planejar refeições.
Desigualdade socioeconômica, que limita o acesso a alimentos frescos e nutritivos.
Outros estudos que corroboram os achados de Dicken
O estudo de Dicken se soma a uma crescente base de evidências:
Estudo | Principais achados |
Kevin Hall (NIH, 2019) | Dieta com UPFs levou a maior consumo calórico e ganho de peso em comparação com MPFs, mesmo com nutrientes equivalentes. |
Dicken & Batterham (2024) | Revisão sistemática mostrou que o impacto dos UPFs na saúde não é explicado apenas pela composição nutricional. |
EPIC Study (Lancet, 2024) | Maior consumo de UPFs associado ao aumento do risco de diabetes tipo 2. |
Machado et al. (BMJ Open, 2019) | UPFs ligados ao consumo excessivo de nutrientes associados a doenças não transmissíveis. |
Quem é Samuel Dicken?
Samuel Dicken é pesquisador da University College London (UCL), atuando no Centro de Pesquisa em Obesidade e no Departamento de Ciências Comportamentais e da Saúde. Ele é:
Doutor em Medicina Experimental e Translacional pela UCL.
Mestre em Ciências Clínicas pela Newcastle University.
Bacharel em Ciências Naturais pela Universidade de Cambridge.
Cientista Clínico registrado no Reino Unido.
Autor de diversos estudos sobre nutrição, obesidade e alimentos ultraprocessados.
Colaborador da Red Pen Reviews, que avalia livros de nutrição com base científica.
Autor do livro The Fitness Blueprint.
Sua carreira é dedicada a entender como a alimentação afeta a saúde metabólica, o comportamento alimentar e a regulação do peso.
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