Home office muda a forma como nos alimentamos?
- Ana Clara Cavalcante
- 20 de ago.
- 3 min de leitura
A proximidade da cozinha pode facilitar refeições mais organizadas, mas também abre espaço para horários irregulares, delivery e lanches rápidos

Você encerra uma reunião, abre uma nova tarefa e, antes mesmo de começar, levanta para “dar uma olhada” na geladeira ou no armário da cozinha. Pode ser vontade de fazer uma pausa, tomar um café ou aquela fominha no meio do expediente. Quando percebe, já voltou a trabalhar abrindo mais um pacote de ultraprocessado.
No home office, a cozinha está sempre por perto. Mas isso não significa que todas as pessoas que trabalham de casa comem melhor ou pior. Para algumas, a flexibilidade ajuda a respeitar os horários de fome e preparar as próprias refeições. Para outras, a falta de uma rotina definida transforma almoço, café e jantar em uma sequência de lanches entre reuniões.
Para Lívia Cordeiro, trabalhar em casa trouxe principalmente autonomia. Ela conta que não passou a beliscar mais apenas por estar perto da cozinha. A principal diferença foi poder organizar as refeições de acordo com a própria fome.
“Quando eu trabalhava no Museu do Café, em Santos, precisava respeitar uma escala de almoço. Teve dias em que eu almoçava às 11 horas, e eu não me acostumava com isso”, diz.
Com Camila Alexandrino, a relação é diferente. Ela conta que costuma comer enquanto trabalha e recorre principalmente a bolachas e outros alimentos rápidos e ultraprocessados. Desde que passou por uma cirurgia, tenta incluir mais frutas na rotina.
“Às vezes, vou à cozinha mesmo sem fome. É automático. Quando vejo, já estou procurando alguma coisa, especialmente chocolate ou doces”, afirma a jornalista.
No caso dela, morar sozinha e conciliar trabalho e estudos também dificultam a organização. Em dias mais desgastantes, cozinhar perde espaço para o delivery. “Acabo pedindo um lanche porque é mais rápido, fácil e também traz uma sensação de conforto”, conta.
Praticidade sempre ganha espaço
Os relatos encontram paralelo em uma pesquisa realizada pelo Onlinecurrículo com 500 brasileiros, entre os dias 19 e 23 de setembro de 2024.
Entre os entrevistados, 54% apontaram a tentação por lanches e alimentos rápidos como um obstáculo para manter hábitos mais saudáveis no trabalho. O estresse e a ansiedade apareceram nas respostas de 29%, enquanto 26% mencionaram a desorganização pessoal e 24%, a falta de motivação.
Até entre os lanches mais consumidos há um equilíbrio apertado: as frutas frescas foram citadas por 40,2% dos entrevistados, praticamente empatadas com bolachas e biscoitos, mencionados por 40%.
A pesquisa ainda mostra que, para 41%, as refeições balanceadas têm forte impacto na produtividade.
Como resume Lívia, o planejamento pode seguir a mesma lógica do trabalho presencial:
“Pense no que você costuma comer e deixe pronto na geladeira ou no armário. Ter essa comida disponível vai facilitar sua vida. Trabalhando de casa, ainda mais.”
E como melhorar a alimentação no home office?
Planejar a alimentação não precisa significar preparar todas as refeições da semana ou seguir horários rígidos. Um primeiro passo pode ser observar em que horário do expediente a fome costuma aparecer e deixar algumas opções práticas mais saudáveis disponíveis.
No site do Broto Botica, você encontra uma variedade de barrinhas, bananada, snacks salgados, e docinhos com tâmara e chocolate, para esses momentos.
Camila pretende reservar um dia do fim de semana para preparar ao menos duas refeições. A ideia é ter algo pronto para esquentar nos dias em que não consegue cozinhar, para que seja ainda mais rápido e prático que pedir delivery.
“Esperar que a fome chegue pode ser um perigo. Se eu tenho fruta já cortada na geladeira, diminui a chance de pensar que não tenho tempo e escolher outra coisa”, explica.
Outras opções para aumentar a ingestão de fibras e frutas, é consumir castanhas, sementes, granolas e geleias 100% fruta e sem adição de açúcares, como as que selecionamos cuidadosamente.
Mais importante do que buscar uma fórmula perfeita é organizar o ambiente para que a praticidade também jogue a favor das escolhas que se pretende fazer.
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